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Comércio e Desenvolvimento
O
comércio, numa perspectiva ampla, abrange todas as etapas que
vão desde a produção até ao consumo, seja
de bens ou de serviços. Os fluxos comerciais – locais,
regionais e internacionais – fazem parte do quotidiano de todas as
populações, instituições e países,
quer enquanto produtores, distribuidores, comerciantes, consumidores
ou decisores das políticas que sustentam estas actividades.
Baseado na competição e na estrita procura de lucros, o
comércio tal como praticado hoje exclui a maior parte das
populações da redistribuição da riqueza,
gerando pobreza para as pessoas e Estados mais frágeis. As
políticas de liberalização promovidas pelas
instituições financeiras internacionais, pela OMC ou
pela UE têm em parte contribuído para acentuar estes
desequilíbrios.
Na
visão do CIDAC, há que inverter esta tendência. É
necessário promover um comércio pautado por princípios
de justiça, equidade e solidariedade, o que implica antes de
mais assegurar que cada pessoa tenha um trabalho digno, com condições
e remunerações dignas; responder em primeiro lugar às
necessidades básicas das populações e assegurar
a sua autonomia e independência; assim como reconhecer e
valorizar as identidades e os recursos locais e respeitar o meio
ambiente. Ou seja, um comércio ao serviço das pessoas,
orientado para o desenvolvimento social e económico das
comunidades locais e do mundo como um todo. Nesta perspectiva,
Comércio e Desenvolvimento é uma temática sem
fronteiras, aplicável quer no Sul, quer no Norte geopolítico
do mundo.
A intervenção
do CIDAC nesta área divide-se em dois eixos:
Apoio
e valorização das produções locais
prioritariamente para o comércio local, mas também
regional ou internacional, no respeito pelos princípios da
economia social e solidária.
São exemplos os projectos de apoio à produção
e reforço da comercialização de artesanato e
produtos alimentares na Guiné-Bissau e projectos de promoção
de turismo ético e solidário em Timor-Leste, sempre
desenvolvidos em estreita cooperação com parceiros
locais.
Reforço
do Comércio Justo em Portugal,
através da participação em redes que defendem um
Comércio Justo assente na Economia Social e Solidária,
na defesa da Soberania Alimentar e não limitado a uma visão
estrita Norte-Sul, assim como sensibilizando ou formando públicos
para o consumo responsável. Este reforço faz-se quer
através de projectos de Educação para o
Desenvolvimento, quer através de iniciativas conjuntas que
promovam o debate. A produção de documentação
e o trabalho continuado com as escolas tem assumido um papel
importante.