:: "Tudo o que
você gostaria de saber sobre o Fórum Social
Português
mas não teve ainda a oportunidade de perguntar", CIDAC,
Março 2006
:: Declaração de
Coimbra, Setembro 2002
:: Página de internet do Fórum Social Português
-
Tudo o que você gostaria de saber sobre o Fórum
Social Português
mas não teve ainda a oportunidade de perguntar -
1. O QUE É O
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS?
Na sequência da
adopção da DECLARAÇÃO DE
COIMBRA
(texto mais abaixo), em 21 de Setembro de 2001, o FÓRUM
SOCIAL
PORTUGUÊS, como os seus congéneres europeu e
mundial, é o processo de
construção de um espaço de encontro,
sem direcção ou programa político,
aberto à participação de todas as
pessoas singulares, associações,
redes de organizações e outras entidades que
acreditam que um outro
mundo em que reine a paz, a justiça, a solidariedade e a
sustentabilidade é não apenas
possível: é necessário.
2. QUEM TEM O PODER DE DECIDIR ?
No quadro do
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS, a todos
os níveis do processo decisório, todas as
reuniões são abertas. As
pessoas individuais (nacionais ou estrangeiros), as
associações
(pequenas ou grandes) ou quaisquer outras entidades que se identifiquem
com a CARTA DE PRINCÍPIOS DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
ou com a DECLARAÇÃO
DE COIMBRA, têm o direito de integrar, em pé de
igualdade com qualquer
outro participante, o processo de tomada de decisão.
3. COMO SE PROCESSA A
DECISÃO?
Local de
coexistência de agendas muito
diferentes, o FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS pratica uma
política activa de
inclusão e de respeito absoluto pela diferença
mediante a adopção do
consenso como método único de tomar
decisões. Dado que no processo
decisório tanto podem participar cidadãos
individuais como organizações
com muitos milhares de membros, a adopção de
decisões por consenso é o
único processo que obsta à
aplicação aritmética da lei do mais
forte,
garantindo que as maiorias conjunturais não ignorem outros
pontos de
vista, por mais minoritários que sejam.
4. QUEM PODE AGIR EM NOME
DO FÓRUM?
Ninguém pode agir
em nome do FÓRUM SOCIAL
PORTUGUÊS. Trata-se de uma entidade que não toma
posições comuns, não
assume posições públicas,
não aprova documentos políticos, não
possui
porta-voz e não autoriza pessoas ou
organizações a falar em seu nome.
5. QUEM ASSEGURA O
FINANCIAMENTO?
Sem tomar em
consideração infra-estruturas
graciosamente cedidas ou o produto da venda de bens ou
serviços, o
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS é integralmente
financiado pelos cidadãos,
associações e outras
organizações participantes. Tendo adoptado o
princípio de que toda a participação
deve implicar uma contribuição
financeira e que esta deve ser definida proporcionalmente ao rendimento
dos participantes individuais ou à dimensão das
organizações, o
auto-financiamento abre perspectivas de continuidade, garante a
independência das associações e
salvaguarda a autonomia deste novo
espaço público de
intervenção.
6. COMO E QUEM ESTRUTURA A
ACÇÃO COLECTIVA?
A cidadania social, a
iniciativa das mulheres e
homens que, a título individual ou colectivo, promovem
interesses
específicos na sociedade, é o verdadeiro motor do
FÓRUM SOCIAL
PORTUGUÊS. São estas pessoas e
organizações que constroem a estrutura
da acção colectiva, existindo iniciativas
conjuntas, oficinas, debates,
exposições, bancas e outras iniciativas que as
organizações, em total
liberdade, desejem realizar, havendo ainda espaços de
cultura,
espectáculo e confraternização.
7. QUE ESPAÇO
É RESERVADO ÀS BOAS PRÁTICAS SOCIAIS?
Em matéria de
boas práticas, a sustentabilidade é
central. Na qualidade de prestador de serviços e de
consumidor
consciente do impacto do seu próprio comportamento, o
FÓRUM SOCIAL
PORTUGUÊS submete a sua acção a
critérios de responsabilidade social e
dispõe de um CÓDIGO DE CONDUTA que: privilegia os
canais alternativos
de produção e de
comercialização, constitutivos da economia social
e
solidária; dá prioridade às
aquisições efectuadas em
função de
critérios de qualidade social e ambiental; recusa a
contratação com
entidades que, de maneira notória, desrespeitem os direitos
laborais,
sociais, culturais ou ambientais e respeita o princípio dos
três R
(redução, reutilização e
reciclagem).
8. COMO SE REPERCUTE NO
FÓRUM A PARTICIPAÇÃO DOS PARTIDOS?
É do conhecimento
geral que, em Portugal, os
partidos políticos participam no Fórum. Se o
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS se
quer afirmar como espaço de liberdade plena em que todos os
participantes apresentam projectos, partilham experiências,
socializam
ideias, criam complementaridades e alargam parcerias,
reforçar a
autonomia do processo iniciado em 2003 em relação
à agenda
politico-partidária é fundamental. As fronteiras
temporais da cidadania
social são o médio e o longo prazo e todas as
agendas devem ter, neste
processo, igual valor.
9. O QUE JÁ FOI
FEITO NO ÂMBITO DESTE PROCESSO?
De 7 a 10 de Junho de 2003,
na Cidade
Universitária de Lisboa, realizou-se a primeira
edição do Fórum Social
Português que reuniu mais de 2.000 pessoas e cerca de 240
organizações.
Durante o encontro cerca de 60 conferencistas reflectiram sobre
questões prementes em áreas tão
variadas como a luta pela paz, o
desenvolvimento sustentável, a defesa dos
serviços públicos ou a
globalização. As
associações e outras
organizações participantes
promoveram a realização de cerca de 120
iniciativas (oficinas e outras)
e apresentaram o seu trabalho em mais de 50 bancas.
Em 14 de Maio de 2005, em
Évora, realizou-se
um encontro subordinado ao tema RESISTÊNCIAS E ALTERNATIVAS.
Este
encontro temático foi um espaço aberto a quem
quis contribuir para a
criação, difusão e
socialização de alternativas à actual
estrutura da
sociedade nacional, europeia ou internacional e constituiu uma
ocasião
privilegiada para identificar e partilhar um conjunto de
práticas
sociais que, em Portugal, anunciam e dão corpo à
esperança numa futura
ordem económica, social, política e cultural
global mais justa e
solidária. O FÓRUM TEMÁTICO
RESISTÊNCIAS E ALTERNATIVAS inscreveu-se no
processo de construção do segundo
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS que terá lugar
este ano.
10. QUE INICIATIVAS
FUTURAS SE ANUNCIAM?
A 13, 14 e 15 de Outubro
próximo, em Almada,
realizar-se-á a segunda edição do
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS. À
semelhança
das experiências anteriores, haverá iniciativas
organizadas
centralmente – dias 13 de tarde e 14 de manhã
– iniciativas
auto-organizadas – dias 14 de tarde e 15 de manhã
- e espaços de
cultura e confraternização.
Lisboa, 3 de Março de 2006
CIDAC – Centro de Intervenção para o
Desenvolvimento Amílcar Cabral
DECLARAÇÃO DE COIMBRA
A 21 de Setembro de 2002, as pessoas, as
organizações e os movimentos da sociedade
portuguesa, presentes no
Plenário Nacional em Coimbra, decidem convocar o Primeiro
Fórum Social
Português para Junho 2003. O Fórum Social
Português afirma-se "um
movimento de movimentos"¹ que se reconhecem no
espírito do Fórum Social
Mundial e dos Encontros Continentais que, por todo o planeta, proclamam
que um outro Mundo mais Pacífico, Justo,
Solidário e Sustentável é
não
apenas necessário, mas possível.
O Fórum Social Português representa em Portugal um
processo de
encontro, convergência e participação
da cidadania organizada e das
pessoas, independentemente da sua nacionalidade, que se
revêem e
subscrevem a Carta de Princípios de Fórum Social
Mundial. Este espaço
não pretende representar o conjunto da sociedade portuguesa,
mas
amplificar a voz d@s muit@s que condenam as políticas
económicas,
sociais, ambientais e culturais do neoliberalismo, a guerra, o sexismo,
o racismo, a homofobia, a xenofobia, a pobreza, a exclusão
social e a
injustiça.
Ao Fórum Social Português podem aderir todas as
pessoas, organizações e
movimentos existentes no país que se reconheçam
nesta declaração. Tod@s
são bem vind@s e tod@s são iguais, quer sejam uma
pessoa, quer
representem um milhão.
No Fórum Social Português trocam-se
experiências, criam-se alternativas
e discutem-se e põem-se em prática ideias de
tod@s. Mas, ninguém está
mandatad@ para falar em nome do Fórum Social
Português.
No Fórum Social Português confluem muitos caminhos
e dele
sairão muitos mais. Aqui se produzem ideias e se preparam
acções, que
apesar de apenas obrigarem @s que nelas se queiram envolver
contribuem para construir um Portugal melhor, num Mundo diferente. A
afirmação desta diversidade não cabe
num documento final.
A
regra principal desta construção
democrática efectiva e
plural é clara: todos os níveis da sua
organização estão abertos à
participação de tod@s. Somos intransigentemente
pela transparência. O
que formos capazes de realizar em conjunto será sempre o
resultado do
empenho de tod@s.
A
nossa legitimidade, bem como da iniciativa que hoje
anunciamos, é a que decorre da vontade de, em conjunto,
procurarmos
imaginar um país que contribua para a ideia de que um outro
Mundo é
possível. É esta a força que
de Seattle a Génova e de Porto Alegre a
Florença mobiliza vontades em todo o planeta.
É esta a razão que
partilhamos e faremos crescer em Portugal.
Coimbra, 21 de Setembro de 2002