Cerca de metade da população timorense vive abaixo da linha de pobreza. Acresce que esta população depende quase exclusivamente de actividades agrícolas de subsistência (80% da mão-de-obra activa está ligada à agricultura familiar) e, de acordo com estimativas de 2006, apenas 10% da mão-de-obra activa seria remunerada, ou seja, estaria envolvida em actividades que não de subsistência. A pressão sobre os recursos naturais, nomeadamente enquanto fonte de meios económicos complementares é significativa, quer em meio rural, quer urbano.
Nos últimos anos assistimos a diversas iniciativas quer por parte dos executivos em funções, quer por parte de organizações da sociedade civil, no sentido de promover a diversificação da actividade económica junto de populações rurais e urbanas, nomeadamente a criação de actividades económicas de pequena escala. Esta é uma das prioridades de combate à pobreza assumida por todos os documentos oficiais produzidos pelas autoridades timorenses1, é um desafio de enormes proporções se tivermos em conta dois factores base: por um lado a fragilidade dos recursos humanos disponíveis e, por outro, a fraca capacidade de absorção por parte dos mercados locais da produção dos bens e serviços existentes.
O projecto tem como grupos alvo prioritários 3 estruturas comunitárias já existentes (embora com níveis de desenvolvimento diferentes), apostando numa intervenção formativa/informativa que passa por métodos experienciais, pensados num espaço de tempo adequado à apropriação da inovação. Partindo da experiência proporcionada pelo trabalho com a cooperativa Valu Sere, em Tutuala (2005-2008), o projecto desenvolver-se-á ao longo de 48 meses em 3 linhas principais:
na intervenção comunitária, por via do reforço de Valu Sere do ponto de vista da sua gestão e infraestrutura técnica, e da replicação de dois modelos semelhantes em Vatuvou e Maubisse;
em colaboração com a Universidade Nacional de Timor Leste, intervindo na formação de futuros profissionais do turismo, bem como dos actuais técnicos do Estado, de pequenos operadores privados e das organizações da Sociedade Civil:
no
reforço de uma estrutura cooperativa local dedicada
especificamente à comercialização nacional e
internacional do turismo de base comunitária.
Prevê-se que esta intervenção traga benefícios directos aos grupos-alvo pela via do aumento de competências, diversificação e aumento das fontes de rendimento, bem como às comunidades envolventes, que poderão beneficiar do aumento de rendimentos proveniente de actividades conexas, de um equilíbrio ambiental conseguido através da diversificação económica e, a longo prazo, da transformação social que o contacto entre diferentes culturas (num quadro bem preciso de respeito mútuo) certamente trará.
O projecto actua no curto prazo, criando uma actividade económica complementar para um conjunto de comunidades, preparando o longo prazo através da promoção de políticas adequadas e de recursos humanos preparados tecnicamente, promovendo um quadro político favorável à implementação de estratégias de desenvolvimento sustentáveis, nomeadamente de acções conducentes à redução da pobreza assentes no cruzamento entre as questões económicas e ambientais.
1 ver por exemplo Ministério das Finanças, Timor-Leste: poverty in a young nation, Dili, November 2008.
Timor Leste, sucos de Tutuala, Maubisse e Vatuvou
Luta contra a pobreza, promoção de actividades geradoras de rendimento complementar.
CIDAC e Fundação Haburas (Timor Leste)
cooperativa Valu Sere (no suco de Tutuala, com 67 membros – 23 mulheres e 44 homens, representando o mesmo número de agregados familiares),
cooperativa Hakmatek (no suco de Maubisse, aldeia de Lekitehi, com 50 membros – 22 homens e 28 mulheres, representando o mesmo número de agregados familiares)
grupo comunitário “Rai Maran” com 30 membros (no suco de Vatuvou, aldeias de Lisalara e Siamanaru);
técnicos do Estado e operadores turísticos de pequena escala (cerca de 20 pessoas);
técnicos e dirigentes das OSC (cerca de 20 pessoas);
estudantes de turismo (num máximo de 184);
Fundação Haburas e cooperativa Natureza enquanto instituições (18 colaboradores permanentes).
48 meses (início 1 Fevereiro 2010)
632.273,00€
Comissão Europeia
Contribuir para a redução da pobreza em Timor-Leste através da promoção de capacidades locais para a criação de actividades geradoras de rendimento assentes na gestão sustentável dos recursos naturais.
Criar actividades de turismo de base comunitária, respeitadoras da biodiversidade e do capital paisagístico e cultural enquanto património colectivo com forte potencial económico, com vista ao aumento do rendimento e do nível de autonomia das populações vulneráveis de zonas rurais de Timor-Leste.
RE1: O potencial do turismo de base comunitária à escala nacional é conhecido, reconhecido e promovido
Actividade 1.1- Estudo e mapeamento da oferta e do potencial turístico
A.1.2- Formação de futuros profissionais, operadores de pequena escala e técnicos do Estado.
A.1.3- Networking - com outros actores sociais e económicos, autoridades locais e centrais
RE2: 3 iniciativas-piloto de turismo comunitário são criadas ou reforçadas
A.2.1- Capacitação de grupos comunitários
A.2.2- Construção de infraestruras simples (alojamento, restauração, saneamento)
A.2.3- Estruturação de produtos turisticos especificos
RE3: A capacidade comercial para o turismo de base comunitária é profissionalizada
A.3.1- Reforço das capacidades da Cooperativa Natureza
A.3.2- Produção de materiais de promoção dos produtos e serviços turisticos
A.3.3- Participação em feiras e eventos relevantes, a nível sub-regional ou internacional