Atividades realizadas 2026

Atividades realizadas 2026

Viver bem com menos

7 de março. A convite da associação Metanoia, o CIDAC participou no encontro anual de reflexão “Viver bem com menos – ousar a sobriedade e a partilha”, realizado no Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Alfragide. Ao longo do dia, cerca de 50 pessoas juntaram-se para refletir sobre a sua relação com a economia, o consumo, a natureza, o tempo, o modelo de desenvolvimento, a contemplação. Para estimular e alimentar esta reflexão, o encontro contou com intervenções da Joana Rigato, a partir do seu próprio caminho para a sobriedade e do João Wemans que abordou a temática do Decrescimento. O fim da tarde foi marcado por uma mesa redonda de partilha de experiências concretas com a participação da cooperativa Minga sobre o Cooperativismo Integral, da Coopernico sobre o fornecimento alternativo de eletricidade e as comunidades de energia e do CIDAC sobre o Comércio Justo e o Consumo Responsável, a partir da experiência da nossa loja associativa.

Lendo a OE#7 - A agricultura no Alentejo

30 de janeiro. Os círculos de leitura em volta da Outras Economias já se vão tornando um (salutar) hábito para vários/as dos/as seus/as leitores/as. Escolhemos um texto de análise profunda sobre uma realidade que nos é tão próxima: "A marcha da financeirização sobre as terras agrícolas: a prova-de-conceito do agronegócio no Alentejo - Socializar o risco: investimento público ao serviço de alguns", para uma conversa animada na Casa da Achada. Para além do texto, tivemos azeitonas e azeite para alimentar a discussão. E a conversa fluiu que nem ginjas, desde a recepção das populações ao projeto de regadio do Alqueva, como algo que prometia um futuro melhor, à realidade hoje vivida no Baixo Alentejo: concentração fundiária, empresas sem rosto, monocultura de olival, impactos ambientais e na saúde das populações, e as condições de vida de quem trabalha atualmente nestas explorações foram algumas das questões debatidas. E o que podemos fazer? Procurar azeite oriundo de produtores/as de olival tradicional, juntarmo-nos às vozes das populações que lutam contra o avanço do olival quase até à sua porta, entre outros. Ficou um misto de gosto amargo pelo presente e futuro desta região, mas com uma pitada de esperança, sobretudo de continuarmos a ler e a discutir em conjunto.
E foi, precisamente, ao Alentejo, mais concretamente a Beja, que nos dirigimos para, juntamente com o Pedro Horta e com a AMAP Beja, apresentarmos este número da revista, no café A Pracinha a 5 de fevereiro. O mau tempo convidou a ficar em casa, mas mesmo assim tivemos quase três horas à conversa sobre como se vive esta nova realidade - do olival e de outras monoculturas intensivas - na pele.

Vozes e Lutas dos territórios - uma conversa a partir da OE7

14 de janeiro. No sétimo número da revista Outras Economias – "Agri-culturas – Os campos em disputa?", construído com Leonor Coimbra e Pedro Horta, procurámos algumas respostas para as questões: quem nos alimenta? O que nos alimenta? Quem ganha com o que nos alimenta? O que produz a agricultura? A partir destes conteúdos, organizámos um webinario com algumas das pessoas que contribuíram para esta edição, para darem uma panorâmica e um testemunho sobre as lutas que as comunidades e as organizações camponesas levam a cabo nos seus territórios, sobre o que incidem, ou seja, os problemas enfrentam, como se organizam e como se podem fortalecer elos de solidariedade entre todos e todas. Contámos com a presença de Aida Fernandes, da Unidos Em Defesa de Covas do Barroso; Benjamin Macas, da Confederación Campesina Agroecológica del Ecuador; de Eric Chaurette, da organização Interpares (Canadá); de Miguel de Barros, da Tiniguena (Guiné-Bissau) e de Gustavo Duch, da revista Soberanía Alimentaria (Estado Espanhol). Os testemunhos trouxeram análises complexas sobre os atores e os mecanismos que têm conduzido ao desaparecimento das comunidades camponesas e aos seus modos de vida, as diferenças e semelhanças entre os distintos territórios, o sentimento de profunda injustiça sobre esses ataques, mas também sobre as formas que a resistência e a construção de alternativas podem assumir: desde as cosmovisões às estruturas jurídicas consuetudinárias locais em relação à terra, até à construção popular e coletiva de políticas públicas relativas à alimentação. Pode ver a gravação aqui.

Explorando a dimensão económica da Cidadania e do Desenvolvimento

7 de fevereiro a 11 de março. A partir da revista Outras Economias e da experiência das formações para professores/as, de curta duração, já realizadas sobre os diferentes temas da revista, organizámos um curso de formação acreditado com uma componente presencial e uma componente online. Tal como as anteriores formações, o processo de certificação resultou de uma parceria com o Centro de Formação de Professores Orlando Ribeiro, da APROGEO. Começámos por explorar os valores e as dimensões da Educação para o Desenvolvimento e da Cidadania e Desenvolvimento, ligando-as ao campo das Outras Economias, seja como leitura crítica do sistema económico seja como proponente de alternativas concretas ao mesmo. Desafiámos os e as 13 professores/as que participaram a pesquisarem sobre 3 temas dos últimos números da revista (cooperativismo, acordos de comércio livre e agricultura) e sucessivamente a criarem percursos pedagógicos sobre o resultado das suas pesquisas. As 4 sessões do curso foram momentos ricos de partilha de conhecimentos e de práticas, num ambiente caloroso e de envolvimento de todos/as, materializando o que concebemos enquanto prática de ED. Reconhecendo que a economia, e sobretudo as visões críticas e alternativas da mesma, estão bastante ausentes da Escola (à excepção da própria disciplina no ensino secundário) os e as professoras testemunharam que formações desta natureza são muito importantes para poder introduzi-las nas práticas pedagógicas. Ficou o desejo comum de organizar mais!

Outras Economias #8: A dívida!

4 de março. "A Dívida: quem deve a quem?" dá o mote ao 8.º número da revista Outras Economias, pensado e coconstruído com a FEC, e que foi apresentado no foyer da Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda. As intervenções iniciais de Alexandre Abreu, Eugénia Pires e Márcia Carvalho alimentaram o debate sobre o que é a dívida, como ela afeta as populações e as relações entre o norte e o sul global, ficando no ar como se poderia imaginar um sistema financeiro internacional justo e que respondesse efetivamente às necessidades dos países. Apesar de ser um tema arredado dos media, sobretudo no pós-troika, juntou-se uma aconchegante plateia de cerca de 25 pessoas no espaço gentilmente cedido pelo Largo Residências.

Injustiças sociais e ambientais à nossa mesa – um olhar crítico sobre o negócio dos alimentos

23 de janeiro. Realizou-se no Terraço do Graal, uma sessão de debate integrada no ciclo Jovens no Terraço, do Graal, e no ciclo de animação do número 7 da revista Outras Economias.  A sessão começou com uma roda de partilha, em que cada participante identificou onde costuma adquirir os seus alimentos. Apesar de algumas pessoas recorrerem a mercados, mercearias de bairro, cabazes da PROVE ou à loja do Comércio Justo do CIDAC, concluiu-se que a maioria dos alimentos consumidos pelas pessoas presentes é adquirida em supermercados. A partir desta constatação, a conversa evoluiu para os impactos sociais e ambientais dos nossos consumos alimentares. A conversa foi “como as cerejas”, encadeando-se vários temas: agricultura intensiva, organismos geneticamente modificados, sementes transgénicas, a problemática da água, o desperdício alimentar, o consumo de energia, as condições de trabalho das pessoas envolvidas na cadeia de produção e distribuição dos alimentos, incluindo quem produz para os supermercados e quem neles trabalha, a alimentação como cultura. Ficou o desafio de revermos alguns hábitos do nosso consumo alimentar, pela nossa saúde, pelos direitos e dignidade das pessoas envolvidas nas cadeias dos produtos agroalimentares e pela preservação dos ecossistemas atualmente em risco. Houve ainda tempo para o vídeo “Comer … tem muitas camadas! Um roteiro para a Soberania Alimentar” e para um jantar delicioso fornecido pela cooperativa de mulheres imigrantes Bandim. Agradecemos ao Graal por esta bela colaboração!