Voluntariado

 

 

Já cá estou

O meu nome é Veronika e no dia 1 de Março cheguei da Republica Checa para fazer um ano de voluntariado europeu no CIDAC.

Como já conhecia Portugal não apanhei nenhum choque cultural depois da chegada, mas não há dúvidas, fiquei em choque com o tempo frio e a chuva. Ai, nem uma só vez me esqueci do aquecimento central, especialmente no edifício do CIDAC que, como me foi dito, é provavelmente o edifício mais frio em Lisboa! Eu não tenho dúvidas sobre isso....

Embora esteja um tempo frio lá fora, em termos de relações pessoais no CIDAC o tempo está quentinho e isto dá para me aquecer. Desde início senti-me bem vinda e logo em casa.

A primeira semana do meu voluntariado foi dedicada a conhecer o ambiente, as pessoas e a missão que vou tentar cumprir durante o ano. A Loja de Comércio Justo tinha acabado de receber uma encomenda de produtos da LiberoMondo e então eu estive a ajudar na arrumação, foi uma boa experiência prática do funcionamento da loja. Aprendi também a entender o software de vendas na loja e usar “se faz favor” quando digo o preço final das compras aos clientes.

Na segunda semana comecei as aulas de português, que são bem interessantes e divertidas para mim. Como sou aluna única não posso fugir da responsabilidade de fazer o TPC, o que no início era um pouco complicado considerando a minha péssima memória, mas já me habituei. Apercebi-me que embora fale português, tenho ainda muito para aprender. Por agora estou a tentar a fazer amizade com imperfeitos e conjuntivos. Infelizmente parece-me que não são muito amigáveis.

 

A minha missão principal cá consiste em encontrar os pequenos produtores de alimentos básicos de Portugal com o propósito de introduzir os produtos na Loja de Comércio Justo. Estes produtos devem cumprir os princípios de produção agro-biológica e de soberania alimentar. De acordo com isto preparei uma lista de Associações de Desenvolvimento Local do Algarve e Alentejo, onde devo focar a minha pesquisa. Contactar as associações vai ser uma das maneiras de obter informações sobre os produtores.


Tive oportunidade de ouvir a apresentação sobre a austeridade preparada pela Luísa Teotónio Pereira e a sua colega Rosário Caetano dirigida aos estudantes dinamarqueses que, tal como eu, acharam a apresentação muito útil e interessante. Além da possibilidade de estar presente, observar a maneira de transmitir as informações e aprender coisas novas, foi muito giro ver um grupo tão entusiasmado e com uma dinâmica tão positiva. Desta perspetiva o papel da Luísa e da Rosário era um pouco mais fácil que o da Dénia, minha coordenadora. Ao fazer a sua visita guiada à Exposição sobre o Comércio Justo e o Consumo Responsável, recebeu um grupo muito desorganizado e não foi fácil. Apesar disso gostei de ouvir e observar a sessão.

Para concluir e não escrever mais histórias, posso afirmar que foi um mês cheio de experiências e encontros interessantes, incluindo os encontros com alguns clientes da loja, às vezes muito engraçados. Oxalá continue assim.

8 abril 2013   

 

 

 


Movimento faz bem

Parece que o tempo está a correr como Usain Bolt. Chegamos quase ao fim de maio, e nem me apercebi do tempo a passar.

Se vos fosse contar sobre cada dia do meu voluntariado no CIDAC desde a última vez que partilhei as minha experiências convosco, seria (era) provavelmente uma história muito comprida. Mas queria contar-vos pelo menos sobre os acontecimentos que achei mais interessantes.
Os quase dois últimos meses foram entre outras coisas marcados pelo movimento físico. Seja em termos de trabalho, seja em termos de viagens.

Durante este período o CIDAC organizou diversas bancas de Comércio Justo em escolas, o que para mim significou poder participar na preparação dos produtos a expor (mandados para as escolas). Embora seja normalmente a escola a tomar conta da venda dos produtos, no Colégio Sagrado Coração de Maria fomos nós próprios do CIDAC a vender. Para mim foi mesmo divertido, já não entrava numa escola (se não contar a universidade) há muito tempo e gostei muito da atmosfera (ou ambiente). As crianças com as suas perguntas curiosas e reações verdadeiras sempre trazem uma nova energia colorida.

Outra actividade notável em que juntámos as nossas forças, foi a limpeza da cave. Sinceramente falando, foi uma luta contra as famílias de cogumelos que lá em baixo acreditavam que por estar no espaço duma associação para o desenvolvimento, se podiam desenvolver ilimitadamente. A luta incluiu - mover todo o material para o terceiro andar, deixá-lo respirar no ar fresquinho, sem piedade acabar com o bolor lá em baixo e devolver tudo ao seu lugar original. Podem imaginar que nestas situações agradecemos mesmo a bendita invenção do elevador.

No entanto durante estes dois meses passei também por momentos menos esgotantes mas valiosos de lembrar. No fim de abril participei na formação do SVE. Para Braga onde aconteceu a formação, saí com pouca vontade, mas voltei com muito boa impressão, seja pela beleza de Braga, da gente que conheci ou até pelas atividades do training (apesar de na realidade não as ter adorado ou, pelo menos, a todas). Só é pena que por causa do orçamento apertado tivemos só 4 dias em vez de uma semana.


 


A semana de 5 a 10 de maio decorreu sob o signo de três coisas: a volta dos documentos para a cave, a chegada da encomenda dos produtos do Comércio Justo e a preparação para o Dia Mundial do Comércio Justo no dia 11 de maio. Quer dizer, esta semana e a seguinte não eram semanas de descanso, mas conseguimos. No Dia Mundial do Comércio Justo o CIDAC organizou a visita às senhoras produtoras, Judite e Justina Silva, associadas à Rede PROVE que entregam os seus cabazes com legumes e frutas às sextas e aos sábados na Loja CJ. Que bem sabe o campo e o saber de onde a nossa comida vem, como cresce e é produzida. E ainda melhor o vinho do pai da Judite. Do banquete que elas preparam para nós ninguém estava à espera.

Sobretudo durante estes dois meses celebraram-se dias especiais, o dia 25 de abril – a revolução e a derrota do regime fascista em Portugal no ano 1974 e o dia 1 de maio. Como passei o dia 25 em Braga participando na formação, não consegui apanhar muito da atmosfera desse dia revolucionário. O 1º de maio já foi diferente. Saí com os outros para a rua a reclamar que está na hora do governo ir embora. Embora o povo que se encontrava na alameda parecer mais que estava a fazer um piquenique do que a se manifestar, notei que o entendimento geral deste dia é muito diferente do que na Republica Checa. Os checos com a experiência comunista, e com a celebração do 1º de maio como obrigatória, evitam agora estas formas de encontros neste dia. Claro que os partidos organizam os seus meetings e os grupos de extrema esquerda e extrema direita acabam por lutar nas ruas, mas em geral o povo prefere sair para a natureza, ficar com a família ou amigos, fazer desporto refrescando-se com cerveja (alguém só pratica a parte da cerveja) e enfim beijar um ao outro. Pois o maio, seguindo a homenagem dum poeta checo do século 19 e os processos em natureza, é para os checos um mês do amor e namorados. No 1º de maio cada mulher deve ser beijada debaixo de uma cerejeira florida para ficar bonita durante o resto do ano. Uma tradição um pouco discriminatória mas sempre melhor do que a da Páscoa, quando todas devem ser varadas com ramos novos de vimeiro de forma a receberem a sua jovem energia para que estejam sempre lindas e cheias da vida. Em checo usamos a expressão: para que não sequem.

Embora não tenha sido beijada debaixo de uma cerejeira e varada, espero não secar e que o amor entre as pessoas não seja celebrado só em maio.

 

 

 


O Verão abençoado

Ai... Lisboa mostrou a sua face verdadeiramente feminina, abriu os seus braços e, depois duma primavera que nunca mais vinha, deixou-nos aquecer e derreter no seu peito. Finalmente aceitou o Sol como seu companheiro e oferecendo a todos copos cheios de verão começou a contar as suas histórias. As histórias sobre ruas vencidas pelas cores, cheiro de sardinhas grelhadas, música e pessoas por uma noite encantadas para o resto de vida.

Com o início de junho, Lisboa entrou numa fase de festa, felicidade e fatalidade. Parece patético? Venham experimentar!

 Eu, entre outras coisas, conheci pela primeira vez o que significa Alfama cheia de gente com música pimba soando por todo o lado – pela primeira e acho pela última vez :) – mas era um pecado não ir ver Alfama durante a noite de Santo António.

Apesar de Lisboa estar em festa o trabalho no CIDAC não parou. Ainda antes do início de junho fiz uma visita ao sul de Portugal, nomeadamente a Faro onde no dia 26 de maio decorreu, no âmbito dos 25 anos da Associação IN-LOCO, uma conferência “PRODUTOS LOCAIS – LICENCIAMENTO, DIFERENCIAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO” . O principal objectivo era “ajudar a compreender os problemas que enfrentam as actividades de pequena dimensão”. As convidadas Ana Soeiro – fundadora da Associação Qualifica - e Maria José Ilhéu - representante da Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento – apresentaram uma problemática bastante curiosa e do ponto de vista da minha pesquisa muito útil. Mas o que achei ainda mais interessante, foi o debate no final. Devo salientar que a sala estava cheia de gente, na sua maioria produtores. Os comentários refletiram questões importantes do presente e do futuro da produção local e tradicional o que ajudou-me a alargar o meu conhecimento sobre esta complexa problemática. Infelizmente, dos muitos comentários não senti grande esperança em mudança para o melhor.

Durante o tempo que passei no sul entrei ao contacto com o produtor de mel, o senhor Chumbinho – que me apresentou o seu mundo da apicultura – quer em termos de sabores de mel, quer em discurso dos problemas dos apicultores. 


 


 

O outro encontro muito valioso aconteceu com Miguel Velez, que tinha sido um dos fundadores da IN-LOCO e que durante muito tempo organizou feiras de produtos locais. Com informações frescas voltei para Lisboa cheia de esperança em entrar logo em contacto com produtores nacionais que podíamos introduzir na Loja de Comércio Justo. Mas logo me apercebi que o contacto pessoal vale ouro e que a comunicação seja por email ou por telefone tem muitos riscos. Felizmente e apesar de demorar mais tempo do que esperava os contactos com produtores estão a começar a avançar.

 No dia do Santo António participei – como foto-repórter - numa sessão de sensibilização sobre o comércio justo e a soberania alimentar no Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide. A sessão foi dividida em partes: a apresentação do programa, uma dinâmica (neste caso, o jogo das cadeiras cooperativas), desconstrução do jogo – com o objectivo de encontrar analogias em relações pessoais no mundo real e daqui explorar os princípios do Comércio Justo, depois desta fase seguiu a mostra do filme “Do campo para mesa” e um debate sobre o filme e conclusão da sessão. Apesar do dia 13 de junho ser o último dia de aulas na escola, o ambiente durante a sessão estava muito bom e participativo. E sobretudo isto tenho de confessar que fiquei completamente apaixonada por esta pequena cidade. É lindíssima.

Com o verão chegaram também os festivais e o CIDAC participou com uma banca de produtos da Loja de Comércio Justo no festival MUSA. A nossa participação teve lados brancos e lados menos brancos mas em geral eu gostei. Vou começar com os lados menos brancos. Primeiro, o clima durante os dias da MUSA, foram os dias mais quentes que tivemos até agora neste verão e a nossa banca estava dentro de uma tenda de plástico transparente (podem imaginar o nosso sentimento de sentirmo-nos mais dentro de uma estufa do que numa tenda). Segundo, fomos vítimas de um crime, alguém roubou dois cavaletes e uma mesa e o que é mais curioso alguém tirou todos os “papelinhos sábios” com frases sobre a natureza, o ambiente e a solidariedade que faziam parte da nossa decoração. Se calhar alguém com sede por sabedoria?

E os lados brancos? Apesar de não termos vendido muito, conseguimos divulgar a nossa missão e dar a conhecer a um público diferente as alternativas que existem ao mercado convencional e ao mundo hiper-consumista.

 

 


O Mar, o Sol e as danças

Na altura de vir para Lisboa já não estava habituada a viver numa cidade. Por isso estava um pouco preocupada com a adaptação a toda a confusão urbana. Agora, no meio do meu voluntariado, já sei que deixar Lisboa para trás não será muito fácil.
Parece que esta cidade desenvolveu uma vacina que funciona ao contrário. Em vez de proteger - infecta. Faz-te ficar viciada/o nas ruas apertadas da Mouraria, na ginginha servida nas tascas destas ruas, nas cores e espírito do Martin Moniz e Intendente, nos sabores e cheiros dos restaurantes clandestinos cuja fama chegou às pagina de magazines gourmet...a lista dos vícios seria interminável.
No início estava sobressaltada como é que seria o verão na cidade, mas no final acabei por não saber o que escolher entre uma programação tão cheia de eventos.
E o meu trabalho no CIDAC? Com a chegada do mês de Agosto o CIDAC entrou um pouquinho em regime de férias, infelizmente o movimento na loja também. Em termos do meu projecto, entrei em contacto com mais produtores e associações. E finalmente conseguimos criar uma lista dos produtos que devem aparecer na nossa loja a partir do outono. No CIDAC recebemos a visita de uma produtora de ervas aromáticas – uma represente dos “novos rurais” - podemos dizer que são um grupo espontâneo que, por causa da crise e desilusão da vida no sistema capitalista e na cidade, ganhou importância nos últimos anos e que é caracterizado pelo regresso ao campo e pela tentativa de recuperar a relação entre homem e terra. A outra visita derivada da minha pesquisa chegou da Aldeia das Amoreiras. A aldeia alentejana onde um grupo de jovens formalmente abraçado pela associação GAIA decidiram há sete anos fundar um núcleo com o objectivo de criar uma aldeia de transição, trazer as actividades e serviços que fazem falta e aprender com o conhecimento local. Ao Ouvir falar sobre a aldeia inspirou-me tanto que aproveitei a minha viagem de férias à costa Vicentina para passar pela aldeia e conhecer o projecto em pessoa... E gostei muito, tanto das pessoas como da aldeia. Só é pena que como muitos outros projectos e associações, também eles se encontram numa situação economicamente super difícil.



 

No meio de Agosto visitei ainda um produtor de nozes e avelãs. Apesar do senhor Sousa não se enquadrar completamente nos nossos critérios porque tem uma produção e distribuição muito bem desenvolvidos, a visita valeu mesmo a pena. Conheci mais uma realidade sobre a qual não fazia ideia. Todos já comemos nozes e avelãs mas só poucos de nós imaginam a complexidade do processo de produção, começando com a manutenção das árvores, secagem da casca até ao descascamento. Além de aprender sobre tudo isso, o encontro com o senhor Sousa e a sua filha foi muito inspirador. Um encontro com paixão pelo trabalho e pela terra. A seguir continuei a prolongar os momentos de inspiração na visita de Marvão e no festival Andanças onde fiquei uma semana ajudando como voluntária na cantina. Foi uma semana super intensiva e embora estando de férias voltei para o CIDAC mais cansada do que depois de uma semana de trabalho em minas. Mas sem dúvida valeu a pena. O Andanças é um festival diferente dos outros e a parte das oficinas de dança e bailes aproxima todos os participantes e cria uma coisa muito familiar.

Falando sobre os meus dias de férias não posso esquecer de mencionar as duas semanas que passei na Quinta Courelas do Monte, perto de Évora. Encontrei a quinta na rede WWOOF.pt e decidi contactá-los, com o objectivo dar à minha pesquisa sobre os produtores e soberania alimentar uma perspectiva mais prática e aprender sobre permacultura. Foram duas semana cheias, tenho de dizer que tive mesmo sorte na escolha. O Nuno e a Jessica são um casal que desistiu da vida na cidade e decidiu mudar-se para o campo e por causa de uma pequena coincidência ficaram apaixonados pela permacultura. Agora depois de um ano, a horta está cheia de legumes e frutas e eles estão com muitos planos para o futuro.

Parabéns e muita sorte para eles!

Voltando ao início – Lisboa possui uma magia contra a qual não existe protecção nenhuma mas felizmente contra a vida em harmonia com a Natureza também não.

 

 

 

 


Caixas, caixas e mais caixas


A última vez que partilhei as minhas experiências sobre o meu SVE aqui no CIDAC, estávamos no fim de Setembro. As pessoas nas ruas andavam vestidas em camisas de manga curta, vestidos, calções e com chinelos. O Verão ainda estava connosco. Agora embrulhada em roupa relembro-me com nostalgia dos dias e das noites quentes que oferecem um sentimento particular de liberdade, de movimento e de despreocupação. Embora o sol faça-me hoje boa companhia, não é a mesma coisa.

Por outro lado, é sempre melhor estar na rua do que em casa que pouco a pouco está a tornar-se num palácio da Rainha do Inverno. Só aguardo o momento em que vão aparecer na cozinha estalactites de gelo. Mas já chega de queixas sobre o frio, há coisas mais interessantes para contar.

A mudança do tempo não foi a única coisa a acontecer durante os meses de Outubro e Novembro. Depois de quase quarenta anos o CIDAC despediu-se do antigo espaço na Pinheiro Chagas e toda a equipa está finalmente junta na Tomás Ribeiro. Acho que até ao momento final ninguém imaginava onde poderiam caber todas as coisas da Pinheiro Chagas acumuladas durante anos e anos. Mas conseguiu-se, isto sem dúvida demonstra as excelentes habilidades organizadores da equipa.

 

 


 


O tempo não pára

 

O tempo não pára, às vezes é por bem e às vezes por mal. No meu caso do SVE no CIDAC é com certeza por mal, gostaria muito de ficar mais tempo. Estou a perguntar-me a mim própria, como é que é possível que já passou um ano. Parece uma semana. Sim, tenho que aceitar que a minha estadia aqui chegou até o fim. Antes de concluir tudo, vou contar-vos um pouco sobre os meus últimos três meses do SVE.

No meio de Novembro participei no Mid-Term Training do SVE organizado pela Agência Nacional em Braga. Desta vez já sabia com quem iria me encontrar, já não foi uma viagem para o desconhecido. Foi um reencontro com pessoal que conheci no On-Arrival Training, com quem criámos laços fortes. Sabe sempre bem encontrar as almas aliadas. O mundo está cheio de pessoas especiais e eu tive sorte de encontrar muitas deles aqui em Portugal, tanto no CIDAC como fora da minha associação.

No caminho de Braga fiz uma paragem no Porto, adorei, mais um sítio na minha lista onde queria viver. Adorei tanto que consegui perder a câmara fotográfica do meu amigo mas felizmente foi encontrada por uma pessoa boa, que a devolveu, ai, que sorte...

Depois de voltar para Lisboa começámos a preparar o Natal e pensar sobre as estratégias que íamos tomar para divulgar os nossos produtos e para aproveitar este período do ano. A ideia dos cabazes resultou muito bem. Mas o que esgotou primeiro, foram os presépios do Perú, e logo antes do próprio Natal.

O Natal e Ano Novo passei com Angela e os outros amigos em Lisboa, foi tranquilo e bravo no mesmo tempo. Ainda bem que se celebram só uma vez por ano, senão ficava uma bola. Comi demais.


 




E não foram só as coisas que vieram da Pinheiro Chagas que encheram o espaço da Tomás Ribeiro. Logo depois da mudança recebemos também a encomenda gigante da Libero Mondo. Com a arrumação dela divertimo-nos durante quase duas semanas, ainda bem que tivemos uma boa ajuda sob a forma da nova estagiária vinda da Itália, a nossa querida Angela. A Angela chegou para investigar sobre o tema da economia social e solidária. Infelizmente a sua presença tem um problema, fica só até ao início de Janeiro. Já estou a sentir a falta dela.

Com a nova encomenda a loja encheu-se quase até rebentar. Cheia de cores e de coisitas bonitas está a atrair mais e mais clientes. Chegaram também os novos produtos portugueses: sal, ervas aromáticas, medronho, mel e vinho...finalmente a minha pesquisa trouxe alguns frutos. Espero que a oferta se alargue ainda mais um bocadinho e que possamos vender também azeite e frutos secos.

Mas por agora a nossa missão principal é : prepararmo-nos para o período do Natal.

O que entre outras coisas significa dar a conhecer a existência da loja aos nossos vizinhos, na prática dei com a Angela uma boa volta na vizinhança deixando panfletos da loja. Espero que funcione e que o Natal seja feliz para todos.




Nos primeiros dias de Janeiro decidimos fazer inventário. Contámos, limpámos e organizámos tudo novamente. No início pareceu uma tarefa super-humana, mas no final não foi tão difícil.

No meio de Janeiro ficámos tristes, porque Angela acabou o estágio e voltou para a Itália. Ai, tantas saudades dela. No dia seguinte da partida da Angela, o CIDAC organizou a conferência com o professor Boaventura Sousa de Santos.

O resto de Janeiro e Fevereiro foi calmo. Recebemos as encomendas de medronho, que se esgotou durante Natal, de sal e também uma pequena encomenda da LiberoMondo. Além de dar ajuda com encomendas, estava sempre andar com a câmara tirando as fotos dos produtos da Loja. Não, não fiquei louca e não estava a fazer isso para ficar com a memória de cada produto antes de ir embora, estava fazê-lo com o objetivo para que as fotos sejam usadas num catálogo da loja.

Mas é verdade que nos últimos meses, por onde andava, tirava fotos. Pois comecei a sentir que o meu SVE não faltava muito e queria ter lembranças. As fotos facilitam aproximar-nos aos sítios que visitámos, às pessoas que conhecemos, às nossas experiências, mas o mais importante fica dentro de nós, dentro dos nossos corações... e nunca desaparece como pode acontecer com fotos.

Foi um ano cheio e eu agradeço que pude passá-lo com a equipa e os voluntários do CIDAC, tive mesmo sorte e foi um prazer.